Reeleitômetro
Quanto de aprovação o presidente precisa para ser reeleito?
Estimativa baseada nas 9 eleições presidenciais desde a redemocratização (1989–2022) mostra o percentual médio de 38% de ótimo+bom e 44% de aprovação como os “números mágicos” de quem busca a reeleição.
A partir de uma comparação entre a avaliação do governo nas pesquisas divulgadas na reta final das eleições presidenciais e o desempenho do candidato governista à reeleição, encontramos um ponto médio sugerido: por volta de 38% de avaliação positiva (Ótimo+Bom) ou 44% de Aprovação à maneira como o presidente governa está associado, nas médias históricas, a mais de 50% dos votos.
Em termos práticos: governistas que chegam à reta final com algo na casa de 38–44% de ótimo+bom / aprovação historicamente têm mais chance de obter a maioria dos votos — mas a estimativa tem incertezas importantes e não garante vitória.
Como chegamos a esse número (metodologia em poucas palavras)
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Dados usados: os percentuais informados por você para as pesquisas na véspera/antevéspera dos pleitos. Excluímos dois anos atípicos (1989 e 2018) em que “não havia candidato governista claro”, ficando 7 observações válidas: 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022.
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Variáveis:
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Ótimo+Bom (%)— soma das categorias “ótimo” e “bom” da avaliação do governo; -
Aprovação (%)— resposta direta “aprova/desaprova a maneira como o presidente está governando?”; -
Votos governista (%)— percentual de votos do candidato governista no 2º turno (ou resultado representativo).
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Análise: regressão linear simples separada para cada métrica (uma regressão com Ótimo+Bom como explicativa; outra com Aprovação como explicativa), cálculo do coeficiente, R e R², e solução da equação para encontrar o valor da métrica que produz 50% de votos.
Resultados numéricos (modelos ajustados)
Modelo 1 — Ótimo+Bom
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Equação estimada:
Votos governista (%) = 40,54 + 0,247×(Oˊtimo+Bom)\text{Votos governista (\%)} \;=\; 40{,}54 \;+\; 0{,}247 \times (\text{Ótimo+Bom})
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Correlação (r): ≈ 0,65 — correlação positiva moderada.
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R² (explicação da variância): ≈ 0,42.
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Ponto de corte para 50% dos votos:
(50−40,54)/0,247 ≈ 38,3% de Oˊtimo+Bom.(50 – 40{,}54) / 0{,}247 \;\approx\; 38{,}3\% \text{ de Ótimo+Bom.}
Modelo 2 — Aprovação
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Equação estimada:
Votos governista (%) = 38,81 + 0,255×(Aprovac¸a˜o)\text{Votos governista (\%)} \;=\; 38{,}81 \;+\; 0{,}255 \times (\text{Aprovação})
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Correlação (r): ≈ 0,63 — também positiva e moderada.
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R²: ≈ 0,40.
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Ponto de corte para 50% dos votos:
(50−38,81)/0,255 ≈ 43,9% de aprovac¸a˜o.(50 – 38{,}81) / 0{,}255 \;\approx\; 43{,}9\% \text{ de aprovação.}
Projeção para o seu cenário (Ótimo+Bom = 34%; Aprovação = 47%)
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Pelo modelo Ótimo+Bom:
Votos=40,54+0,247×34≈48,9%\text{Votos} = 40{,}54 + 0{,}247 \times 34 \approx 48{,}9\%
→ ~48,9% (ligeiramente abaixo da maioria).
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Pelo modelo Aprovação:
Votos=38,81+0,255×47≈50,8%\text{Votos} = 38{,}81 + 0{,}255 \times 47 \approx 50{,}8\%
→ ~50,8% (ligeiramente acima da maioria).
Interpretação: conforme os modelos, o mesmo cenário pode apontar para derrota apertada (quando se olha apenas o Ótimo+Bom) ou vitória apertada (quando se olha a Aprovação). Isso ilustra que a escolha da métrica importa e que pequenas diferenças percentuais nas pesquisas podem alterar a previsão.
Exemplos históricos que embasam a conclusão
Nos sete casos usados para ajustar o modelo, observou-se que governistas com avaliação positiva próxima ou acima de ~40% tendem a ficar competitivos no 2º turno (casos como 1994, 1998, 2006, 2014). Casos com índices bem abaixo disso (quando existem) tendem a perder — embora haja exceções históricas e contextuais.
Limitações e ressalvas (imprescindíveis)
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Amostra pequena: só 7 observações utilizadas — resultados estatísticos são sensíveis a cada ponto.
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Heterogeneidade: diferentes institutos, perguntas e contextos políticos nos anos analisados.
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Exclusão de anos atípicos: 1989 e 2018 foram excluídos por não haver um “candidato governista” claro; isso é justificável para comparar incumbente vs. eleitorado, mas também reduz a amostra.
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Correlação ≠ causalidade: aprovação/ótimo+bom podem influenciar voto, mas fatores como economia, crise, campanha do adversário, escândalos e estrutura regional também têm grande peso.
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Margem de erro das pesquisas: não incorporamos neste cálculo as incertezas amostrais (erros-padrão das pesquisas individuais), o que aumenta a incerteza das previsões ponto a ponto.
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Modelo linear simples: é uma aproximação; relações reais podem ser não-lineares e dependentes de interações (por exemplo, combinação aprovação + tendência econômica).
Conclusão (o que o leitor deve levar)
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Regra empírica: no conjunto histórico usado, um governista tende a precisar de algo em torno de 38% em Ótimo+Bom ou ~44% em Aprovação para projetar 50% dos votos no 2º turno.
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No cenário que você deu (34% OB / 47% aprovação): os dois modelos dão previsões muito próximas do empate, com ~48,9% (OB) e ~50,8% (aprovação). Ou seja — uma eleição decidida por diferença muito pequena, em que fatores de campanha e erros de pesquisa podem alterar o resultado.
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Use o número como orientação histórica, não como previsão determinista.
Lula teria hoje entre 46% e 51% dos votos
Com base nessa estimativa, vamos acompanhar a evolução das pesquisas de avaliação e aprovação do governo e projetar o potencial de votos que o candidato governista teria se a eleição fosse hoje.
Hoje, pela métrica Ótimo+Bom, o candidato à reeleição estaria abaixo da linha de vitória, com cerca de 45% dos votos. Pela métrica Aprovação, ele estaria ligeiramente acima da linha crítica, com ~51% dos votos.
Projeção do desempenho eleitoral do candidato à reeleição
Série histórica das pesquisas de avaliação e aprovação do governo Lula
Abaixo a série histórica dos resultados de todas as pesquisas de avaliação e de aprovação do governo Lula e a média ponderada dos resultados.
