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Agregador de pesquisas

Agregador de pesquisas

Agregador de Pesquisas Eleitorais das Eleições de 2026

 

Como funciona o agregador de pesquisas presidenciais 2026

Uma pesquisa diz 37%. Outra diz 46%. Qual acreditar? A resposta é: nas duas — e em todas as outras ao mesmo tempo. É para isso que serve um agregador.


Nos últimos meses, os principais institutos de pesquisa do país, Quaest, Datafolha, Atlas Intel, Paraná Pesquisas, CNT/MDA, Real Time Big Data, Ipsos-Ipec e Meio/Ideia, divulgaram dezenas de levantamentos sobre as intenções de voto para a eleição presidencial de 2026. Os números variam. Às vezes, bastante.

Essa variação é natural e esperada: cada pesquisa entrevista amostras diferentes, em datas diferentes, com métodos diferentes. Tratar um único levantamento como “a verdade” é um erro estatístico e também jornalístico.

Este agregador existe para corrigir esse problema.


O que é um agregador de pesquisas

Um agregador combina múltiplos levantamentos em uma estimativa única, mais estável e menos sujeita aos ruídos inevitáveis de qualquer pesquisa individual. A lógica é a mesma que está por trás de qualquer média: ao juntar amostras independentes, os erros aleatórios de cada uma tendem a se cancelar.

O método foi popularizado nos Estados Unidos pelo estatístico Nate Silver, cujo modelo para o FiveThirtyEight acertou 49 dos 50 estados americanos nas eleições presidenciais de 2008. No Brasil, o trabalho dos pesquisadores Mathieu Turgeon e Lucio Rennó, publicado em 2013 na revista Opinião Pública, demonstrou empiricamente que médias de pesquisas superam levantamentos isolados na previsão de resultados eleitorais brasileiros.

A diferença entre um agregador e uma simples média de pesquisas está nos critérios de ponderação: não faz sentido tratar uma pesquisa com 1.500 entrevistados da mesma forma que uma com 5.000, nem dar o mesmo peso a um levantamento de seis meses atrás e a um divulgado esta semana.


A fórmula

O peso atribuído a cada pesquisa neste agregador é calculado por:

Peso = √(n) × 2^(−d/30)

Onde n é o tamanho da amostra e d é o número de dias desde o início da coleta até a data de referência.

São dois componentes — um para precisão, outro para recência.

Por que a raiz quadrada de n, e não n diretamente?

Porque a margem de erro de uma pesquisa não cai de forma linear com o tamanho da amostra — ela cai com a sua raiz quadrada. Uma pesquisa com 5.000 entrevistados é 1,58 vezes mais precisa do que uma com 2.000 — não 2,5 vezes mais precisa, como seria se usássemos a amostra diretamente. Usar √(n) reflete essa realidade e impede que pesquisas com amostras muito grandes — como as da Atlas Intel, que frequentemente superam 5.000 entrevistados — dominem desproporcionalmente o resultado do agregador.

Por que o decaimento exponencial?

Porque o eleitorado muda ao longo do tempo. Uma pesquisa de agosto de 2025 captura um estado da opinião pública que pode ser radicalmente diferente do de abril de 2026. Com a fórmula adotada, uma pesquisa perde metade do seu peso a cada 30 dias — uma “meia-vida” calibrada ao ritmo mensal em que os principais institutos brasileiros divulgam seus levantamentos. Pesquisas com três meses de idade ainda contribuem para o agregador, mas com apenas 12,5% do peso que teriam se fossem de hoje.


O que entra e o que fica de fora

Para ser incluída no agregador, uma pesquisa precisa testar simultaneamente Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) no mesmo cenário estimulado de primeiro turno, estar registrada no TSE com metodologia completa conhecida e ter abrangência nacional.

Quando um instituto divulga múltiplos cenários, o que é comum na Quaest, que chegou a publicar dez numa única rodada , o cenário principal (o mais amplo, com maior número de candidatos testados) é o selecionado. Incluir vários cenários da mesma rodada seria contar o mesmo instituto mais de uma vez.

Duas exclusões merecem menção explícita:

  • Atlas Intel, 18 de dezembro de 2025: com 18.154 entrevistados online e Lula em 47,3%, o levantamento estava mais de 8 pontos acima de todos os outros institutos no mesmo período. Foi tratado como ponto aberrante e removido. Manter uma pesquisa assim equivaleria a deixar um dado incorreto contaminar toda a análise.
  • Quaest, novembro de 2025: a rodada testou dez cenários diferentes, mas nenhum deles colocou Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado no mesmo cenário. Está registrada na base de dados com ressalva, mas excluída da tabela de evolução mensal.

O que o agregador mostra e o que ele não mostra

O agregador é uma ferramenta de acompanhamento de tendências, não uma previsão eleitoral.

A série histórica que ele produz, com a evolução mensal das médias ponderadas desde agosto de 2025, revela movimentos que nenhuma pesquisa isolada seria capaz de capturar com a mesma nitidez. O crescimento contínuo de Flávio Bolsonaro, de 14–15% em agosto de 2025 para 33–37% em abril de 2026, é legível na série agregada; em pesquisas individuais, cada ponto poderia ser confundido com oscilação amostral normal.

O que o agregador não faz: corrigir vieses sistemáticos compartilhados por todos os institutos. Se todas as pesquisas subestimam consistentemente um candidato, como ocorreu com Bolsonaro em 2022 nos levantamentos telefônicos, o agregador vai subestimá-lo também. Agregadores mais sofisticados, como o do FiveThirtyEight, aplicam correções baseadas no histórico de acertos de cada instituto. Este agregador não faz isso, tratando todos os institutos como igualmente confiáveis.

Outra limitação importante: pesquisas online como as da Atlas Intel, com amostras de 5.000 a 18.000 entrevistados, tendem a registrar valores muito mais baixos para branco/nulo e indecisos do que pesquisas presenciais. Quando a Atlas Intel é a pesquisa dominante de um mês, esse padrão contamina a estimativa agregada dessas categorias.


Por que isso importa

Pesquisas eleitorais são frequentemente cobertas como se fossem resultados de corridas: “Lula tem X%, Flávio tem Y%”. Quando duas pesquisas mostram números diferentes, a cobertura tende a tratar a discrepância como contradição ou erro, quando na verdade, ambos os números podem ser corretos dentro de suas margens de erro, refletindo momentos ligeiramente diferentes do mesmo processo.

O agregador oferece uma alternativa: em vez de escolher qual pesquisa acreditar, ele pondera todas as informações disponíveis de forma transparente e auditável. Qualquer leitor pode abrir a planilha, ver o peso atribuído a cada pesquisa e reproduzir o cálculo.

Esse é o princípio que orienta a ferramenta: não substituir o julgamento editorial, mas dar a ele uma base estatística mais sólida.


Nota: Este agregador é uma ferramenta de acompanhamento jornalístico, não um modelo preditivo. Pesquisas eleitorais medem intenção de voto declarada no momento da coleta, não o resultado futuro das urnas. O agregador reduz a incerteza associada a pesquisas individuais, mas não elimina os erros sistemáticos compartilhados por todos os levantamentos, como sub-representação de eleitores sem telefone fixo ou acesso à internet, efeito Bradley-Hollman em candidatos polêmicos ou mudanças de última hora no eleitorado.

A metodologia completa com todas as referências bibliográficas está disponível na nota técnica que acompanha este agregador:

Leia mais sobre a metodologia